24 março 2012

Fukanzazengi - 53º Comentário de Coupey


Source: Hubblesite.org 
Se esforcem no caminho que indigita diretamente nossa natureza de Buda original.
Agora que vocês descobriram essa prática - e, através dela, o Caminho -, não virem à direita nem à esquerda, mas sigam diretamente em frente, sem se dispersarem.

Uma pessoa que pratica há muitos anos me disse que ela queria ir para T. porque não se sentia bem acolhida na nossa sangha. É verdade, o zen e frio. É a neve. É Bodhidharma. É Eka. É Tozan que diz que mesmo uma cabeça de defunto proclama o Caminho; é Deshimaru, que diz que, em zazen, todas as coisas de nossa vida devem ficar frias. Mas o coração está aí. É preciso encontrá-lo.

O coração não tem nada a ver com o apego. Quando sentamos em zazen, abandonamos nossas características adquiridas, desprendemo-nos de nossos sentidos pessoais. E o que sobra? O coração, a relação entre nós além de nossa pequena mente. Não há dogma, não há doutrina, nada. É por isso que todos os grandes mestres dizem sempre que nada mais há senão zazen, e é por isso que o zen é uma religião tão grande.

Partir para outro lugar não é grave. Façam como lhes aprouver. Mas não se esqueçam o que Dogen diz aqui: "Se esforcem no caminho que indigita diretamente nossa natureza de Buda original." Depois de T., onde vocês poderiam ir? Sobretudo quando o tempo pressiona. Pois ontem foi ontem, mas hoje devo morrer. E procurando tudo sempre, acaba que passei ao largo de tudo.

"Se esforcem no caminho que indigita diretamente nossa natureza de Buda original", quer dizer também, não percam tempo com os detalhes que nada mais são que ilusões. E consagrem todas as suas energias, seus ki, suas vidas, suas coragens e suas vidas a esse Caminho que aponta o absoluto sem volta.

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