26 dezembro 2012
24 dezembro 2012
12 dezembro 2012
O silêncio de Subhuti ultrapassa Vimalakirti
Quando ao governo faltam pessoas
sábias, procuram talentos nas montanhas e nos desertos. Como exemplos
excelentes, foi dessa forma que encontraram Bairi Xi e confiaram-lhe o governo,
e encontraram Fushi Yan para servir o país. Compreendam claramente que entre montanhas
e desertos certamente há pessoas talentosas e sábias, e que essas pessoas lá são
abundantes. Portanto, vocês monges de água e nuvem que se alojam nas montanhas
e desertos e estudam o caminho de Buda com o corpo e a mente não devem ser
inferiores a leigos ou ministros do governo. Agora vocês não têm ainda a
determinação de ministros, como podem alcançar a intenção cuidadosa de sábios?
Isso é porque vocês são preguiçosos e não estudam. Vocês deveriam ter vergonha
e ficarem tristes. Vocês precisam saber que o tempo voa como uma flecha e que a
vida humana é difícil de preservar. Estudar o caminho é como se extinguir as
chamas ao redor de suas cabeças fosse as faces dos budas ancestrais passados e
os ossos e a medula do ancestral fundador.
Lembro-me que Subhuti estava
segurando a tigela mendigando em volta da casa de Vimalakirti. Vimalakirti
encheu a tigela com arroz perfumado e exclamou para Subhuti, "Se você pode
caluniar o Buda, esmagar o Dharma, e não entrar na Sangha, você pode comer
isso." [De acordo com o sutra] Subhuti não entendeu isso, largou a tigela
e saiu.
Por mais de dois mil anos,
ninguém cozinhou essa situação particular. Todo mundo diz simplesmente que
Subhuti não entendeu esse significado, e ninguém disse que Subhuti entendeu.
Daibutsu [Dogen] pergunta aos valorosos ancestrais e antigos sábios, vocês
viram, através desse caso de Subhuti largando a tigela e saindo ou não? Subhuti
já largou a tigela e saiu. A voz de Subhuti é como o trovão que chega até o
presente e ainda não descansou. Assim, sua voz lança as vozes do veículo
Sravaka, do veículo Pratyekabuddha e do veículo do bodhisattva. Portanto,
parece que Vimalakirti foi incapaz de ouvir.
Agora eu pergunto a Vimalakirti:
Você ouve a voz de Subhuti que calunia Buda, esmaga o Dharma, e não entra na
Sangha, ou não? Se você não ouve a voz dele expondo, eu vou fazer com que você
fique segurando uma tigela de arroz, de pé no chão, por um ou dois kalpas.
Além disso, eu, Daibutsu, digo a
Vimalakirti, em nome Subhuti: encha a tigela com arroz perfumado, mesmo enquanto
você está caluniando o Buda, esmagando o Dharma e não entrando na Sangha. Então
eu vou comê-lo. Esperando Vimalakirti responder, eu, [Subhuti], pegarei
rapidamente a tigela de arroz e seguirei adiante.
(Dogen, Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma #134)
01 novembro 2012
Pérola brilhante
Dominando o universo inteiro nas dez direções, damos o primeiro passo; dominando o universo inteiro nas dez direções, nos engajamos na prática; dominando o universo inteiro nas dez direções, esclarecemos a Mente; dominando o universo inteiro nas dez direções, transformamos a atividade de nossos corpos, dominando o universo inteiro nas dez direções, revertemos a nossa maneira de pensar.
Eis uma história. Um monge perguntou Xuansha, “O sumo sacerdote [Xuansha] disse, ‘O universo inteiro nas dez direções é uma pérola brilhante’. Como pode este aluno entender isto?”
Xuansha disse: “O universo inteiro nas dez direções é uma pérola brilhante. De que serve entender isto?”
No dia seguinte Xuansha ainda perguntou o monge, “O universo inteiro nas dez direções é uma pérola brilhante. Como você entende isto?”
O monge respondeu: “O universo inteiro nas dez direções é uma pérola brilhante. De que serve entender isto?”
Xuansha disse: “Agora eu sei que você está vivendo na caverna do demônio da montanha negra”.
Após relatar a história Dogen disse. O universo inteiro em todas as direções é uma pérola brilhante. O sol, a lua e as estrelas se assemelham a um coelho e corvos. Quando você quer entender o conjunto completo, mas não entende, ficar na caverna do demônio da montanha preta é uma boa e vigorosa prática.
(Dogen, Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma
#107)
Vocês podem ler mais sobre o koan narrado por Dogen no sermão (texto em inglês) de John Daido Loori, Roshi, em Hsuan-sha's One Bright Pearl.
18 agosto 2012
Maitreya já desceu
O monge respondeu: "Ele está atualmente no palácio celestial, e vai nascer no futuro".
Nanquan disse: “Não há Maitreya no céu, nem há Maitreya aqui embaixo na terra."
Em seguida, Yunju perguntou: "Se simplesmente não há Maitreya no céu e não há Maitreya aqui no chão, eu quero saber quem concedeu seu nome [Maitreya]".
Dongshan imediatamente sacudiu seu assento de meditação e disse: "Mestre [Yunju Dao] ying".
Mestre Dogen disse: Não há Maitreya no céu, e não há Maitreya aqui embaixo na terra. Maitreya não é Maitreya, [e desta forma] Maitreya é Maitreya. Ainda que isto seja assim, não querem todos ver Maitreya?
Dogen levantou o hossu e disse: Vocês se encontraram com Maitreya. Já o tendo encontrado, digam-me todos rapidamente se Maitreya existe ou não existe.
Dogen abaixou seu hossu, desceu do seu assento, e circulou pelo zendô.
(Dogen, Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma
#61)
13 agosto 2012
O canto do rouxinol e o homem oco
Qual é a mente dos budas ancestrais? Eu diria a alguém: A canção do rouxinol é a mesma por toda a parte.
Qual é a pessoa original? Eu diria a alguém: Um homem emaciado com a pele murcha.
(Dogen, Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma #57)
02 agosto 2012
Atravessei mares e rios
Atravessei mares e rios, transpus montanhas e vadeei regatos,
Para encontrar mestres, buscar o Caminho e penetrar nos segredos do Zen.
Desde que pude discernir o caminho de Sôkei*,
Soube que nascimento-e-morte não é a coisa à qual eu estava ligado.
Andar é Zen, sentar-se é Zen;
Quer falando, quer ficando em silêncio, quer se movendo,
quer permanecendo quieto, a Essência está sempre em repouso;
Mesmo quando ameaçada com espadas e lanças, ela jamais abandona seu sereno caminho.
Mesmo venenos não conseguem perturbar sua calma.
(Yoka Daishi (613-713) Shodoka, Poema da Iluminação, Trad. Ricardo M. Gonçalves)
*Sôkei é a localidade onde ficava situado o mosteiro do Sexto Patriarca Hui-Neng.
01 agosto 2012
Estudo de sons e cores
Recomenda-se ganhar a margem inteira, mas definitivamente
evitar a criação de uma oposição frontal. Pelo lado claro [compreendendo as
diferenças] vocês merecem trinta golpes; pelo lado escuro [fundindo em unidade]
vocês merecem trinta golpes. Vocês já alcançaram isso. A todas as pessoas não
falta, nem mesmo um pouco. Porque vocês não percebem isso? Iluminação não
inveja iluminação, mas [vocês não conseguem perceber] simplesmente porque
vocês estão presos por sons e cores. Quando os sons e cores prendem a
iluminação, não estão sons e cores presos pela iluminação? Embora isto seja
assim, liberar os seus corpos em sons e cores, abrindo suas mãos no meio de
sons e cores, permanecendo lá empregando seus próprios esforços, certamente vocês podem
realizar o pilar firme do Zen e vocês podem perceber o Zen Nirgrantha, ainda
que, nem mesmo em sonhos, vocês vejam um Zen ancestral ou o Zen Tathagata*. Como
isto é muito doloroso!
Quando vocês erroneamente vestem o manto de sons e cores e
buscam vantagens através de formas externas, vocês terão em suas casas pinturas
da deusa da boa fortuna, mas vocês também estarão nutrindo a deusa da pobreza.
Quando sem expectativa, de repente vocês quebram o balde
laqueado ao estilo dos antepassados, levantam a cabeça e golpeiam seus peitos
[numa expressão não mediada], de repente vocês atingem a realização do caminho.
Quando uma pessoa realiza o caminho, o eu e o outro, juntos, realizamos o
caminho. Em uma manhã de realizar o caminho, o corpo passado e o corpo futuro, juntos,
realizam o caminho. Por exemplo, é como [atravessando um rio] em um barco ou
uma ponte, o eu e os outros andarem juntos, alcançando e penetrando o caminho.
Voltado para o leste ou voltado para o oeste, ao mesmo tempo não há paralisação
e não há obstrução de um e de outro. Alguém voltado para o leste e alguém
voltado para o oeste podem usar esse único barco. O barco é o mesmo, mas as
pessoas são diferentes. Indo para o leste ou para oeste, cada pessoa chega a
seu destino. Esta é a característica da iluminação. Quando realizamos o
caminho, não realizamos com algo mais, realizamos apenas com sons e cores.
Quando estamos iludidos, não estamos iludidos com algo mais, estamos iludidos
apenas com sons e cores. Uma pessoa iludida e uma pessoa iluminada utilizam ao mesmo
tempo um barco, e cada uma delas não é obstruída.
Nos tempos antigos, certa vez um monge perguntou a Fayan,
"Como eu posso transcender as duas palavras, som e cor?"
Fayan disse, "Grande assembleia, se vocês entenderem o
ponto desta questão deste monge, não é difícil transcender o som e a cor".
Como podemos investigar essa circunstância [da história]?
Com seus ouvidos, ouçam o alaúde sem cordas, e com os seus olhos, vejam a árvore sem
sombra. Grandes praticantes têm conhecido tal princípio. No entanto, há um
ponto que vocês precisam entender em detalhes. Com seus ouvidos, [também] ouçam
o alaúde que tem cordas, com os seus olhos, vejam a árvore que tem sombra.
Vocês já são assim. Agora eu pergunto à grande assembleia, que coisas vocês
chamam de sons e cores? Onde estão os sons e cores agora?
(Dogen Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma #52)
*Nirgrantha Jnatiputra, também conhecido como Mahavira. é o nome
do fundador do jainismo, contemporâneo
com Buda Shakyamuni. A tradição Jain enfatiza o ascetismo e renúncia ao mundo,
por isso, aqui, "Zen Nirgrantha” pode ser uma expressão de Dogen para a
prática que tenta rejeitar o reino de som e cores. " Pilar firme do Zen "
é uma expressão original que aqui pode implicar apenas na compreensão ou
meditação em silêncio, sem expressão aberta e partilha do ensinamento no mundo
fora do salão do Dharma. Por isso, essa frase pode ser interpretada como
dizendo que a rejeição do reino de sons e cores é outra forma de apego ao reino
de sons e cores. "Zen ancestral" tradicionalmente refere-se à pratica
como ela funciona na atividade diária normal. "Zen Tathagata" refere-se
à pratica baseada nos ensinamentos dos sutras. (Comentário de Taigen Dan Leighton)
27 julho 2012
Paciência
Nosso Mestre outrora serviu ao Buda Dipankara,
E depois, por muitas eras, disciplinou-se sob a forma de um asceta chamado Paciência.
Eu também muitas vezes nasci e morri;
Nascimentos e mortes - como seu suceder é infinito!
(Yoka Daishi (613-713) Shodoka, Poema da Iluminação, Trad. Ricardo M. Gonçalves)
24 julho 2012
Um lugar para viver
Os budas ancestrais compreenderam o Buddha Dharma e alcançaram poderes espirituais. Realizar o estado de buda e tornar-se um ancestral não pode ser conseguido facilmente. Aqueles que apenas alcançam poder espiritual são chamados anciãos. Aqueles que entendem Buda Dharma são chamados os grandes. Compreender a grandeza e alcançar o respeito como um ancião simplesmente dependem de penetrar no princípio e de se engajar totalmente no caminho.
Zhaozhou disse: "Irmãos, apenas sentem e penetrem no princípio. Se vocês fizerem isso durante vinte ou trinta anos e não compreenderem o caminho, peguem a cabeça deste velho monge e transformem-na numa concha para recolher excremento e urina".
Um Buda ancestral falou assim, e as pessoas de hoje fazem tal prática. Como poderíamos ser enganados? Simplesmente porque estar ligada a sons e cores sem perceber seu pensamento discriminativo, a pessoa ainda não é capaz de se libertar. Que pena. Essa pessoa está desejando aparecer e desaparecer em vão nas poeiras de sons e cores. Agora podemos encontrar a oportunidade presente [a prática]. Abandonem a queima de incenso, as prostrações, o nenbutsu, a prática do arrependimento e a leitura de sutras: apenas sentem-se.
Lembro-me da visita Zhaozhou a Yunju Daoying. Yunju disse: "Grande Ancião, por que você não procura um lugar para residir?"
Zhaozhou disse: "Qual é lugar onde essa pessoa poderia viver?"
Yunju disse: "Em frente da montanha existe a fundação de um antigo templo".
Zhaozhou disse, "Grande sacerdote, seria bom para você mesmo ir viver lá".
De tal maneira, uma pessoa que entende o Buda Dharma manifesta poderes espirituais. Esta atividade não é a mesma que a daqueles dentro dos dez santos e três sábios [estágios](*). Eu, Kosho, em nome de Yunju, mais uma vez manifestarei o poder espiritual. Antes, já havia sido dito: "Qual é o lugar onde essa pessoa poderia viver." Depois, foi dito: "Grande sacerdote, viva lá você mesmo", Já tendo assim alcançado, vocês deveriam ser assim. Isto é como dizer, "Vivam, vivam".
(Dogen Eihei Koroku, Fala do Salão do Dharma #33)
(*)Os "dez santos" refere-se aos dez estágios, ou bhumis do desenvolvimento do bodhisattva, elaborados no Sutra Dašabhumika. Os "três sábios" refere-se aos três agrupamentos de dez fileiras, ou trinta degraus, que antecedem as dez etapas dos bhumis, conforme estabelecido no Sutra Gandavyuha. Tanto o Dašabhumika quanto Sutra Gandavyuha também são capítulos dentro da vasta elaboração do Sutra Avatamsaka sobre o desenvolvimento de bodhisattvas para se tornarem Budas. Dogen está dizendo que uma pessoa que entende o Buda Dharma transcende todas essas fases de desenvolvimento.
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